Em um discurso contundente na tribuna do Senado, o parlamentar Styvenson Valentim avaliou os desafios estruturais que cercam o endividamento no país, contrapondo-se à visão simplista apresentada no programa Desenrola 2.0. O senador argumenta que a inflação persistente é o fator que mais corrói o orçamento familiar, obrigando os brasileiros a escolherem entre comer ou pagar as contas de luz. Segundo Valentim, a estratégia de focar a renegociação apenas em descontos pontuais é paliativa, pois não combate a pressão exercida pelo desequilíbrio das contas do governo, que acaba gerando juros altos e crédito inacessível.
Styvenson também chamou a atenção para a tentativa do governo federal de vilanizar as plataformas de apostas como a causa única do superendividamento. Ele utilizou levantamentos do instituto Atlas Intel para provar que a maior parte das dívidas no Brasil advém de necessidades básicas e não de jogos de azar. “A conta de água e de luz não espera, e é aí que o brasileiro se afoga”, pontuou o senador, reforçando que a proibição de “bets” para os participantes do programa é uma medida acessória que não resolve a defasagem salarial causada pela alta de preços nos supermercados e serviços essenciais.
O cenário no Rio Grande do Norte foi usado como exemplo da urgência de políticas macroeconômicas mais sérias. Com o estado ocupando a terceira posição em endividamento no Nordeste, Valentim criticou duramente a proposta local de aumento de impostos, como o ICMS e o IPVA, que tramita na Assembleia Legislativa. Na visão do senador, aumentar a carga tributária em um momento de crise é um golpe contra o orçamento dos 1,24 milhão de potiguares endividados. Ele concluiu afirmando que o país precisa de ordem fiscal para que o Banco Central tenha condições de baixar os juros, atacando assim a raiz do problema financeiro.