O cenário econômico mundial de abril de 2026 é resultado de uma confluência sem
precedentes de crises simultâneas: a guerra entre EUA, Israel e Irã com o
fechamento do Estreito de Ormuz; a continuidade do conflito Rússia-Ucrânia já em
seu quinto ano; a guerra comercial entre as maiores potências mundiais; e a
transformação tecnológica acelerada pela inteligência artificial. Cada um desses
fatores, isoladamente, já seria suficiente para redesenhar rotas de comércio,
cadeias de suprimentos e estratégias de investimento global.
O FMI, cujas novas projeções serão divulgadas na semana de 14 de abril, deve
revelar reduções significativas nas previsões de crescimento global para 2026 e
2027, refletindo os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços de energia
e a confiança dos investidores. O preço do petróleo acima de US$ 110 pressiona
custos em toda a economia global, alimenta a inflação e complica os planos dos
bancos centrais de reduzir os juros. A diretora do FMI já antecipou: “todos os
caminhos conduzem agora a preços mais elevados e crescimento mais lento.”
Para o Brasil, o cenário externo turbulento traz riscos e oportunidades. O país,
como grande exportador de commodities agrícolas e energéticas, pode se beneficiar
do aumento dos preços do petróleo e da demanda chinesa por soja e minério. Por
outro lado, a inflação importada, a volatilidade cambial e a possível recessão
global podem frear os planos do Banco Central de reduzir os juros e estimular o
crescimento interno. Às vésperas de um ano eleitoral crucial, o governo Lula
navega entre a pressão por gastos públicos expansionistas e a necessidade de
manter a credibilidade fiscal para ancorar as expectativas do mercado.