COBRANÇA DE ENFRENTAMENTO ÀS CAUSAS ESTRUTURAIS DA DÍVIDA NO PAÍS

Nesta segunda-feira, o senador Styvenson Valentim trouxe ao debate legislativo uma reflexão profunda sobre as falhas conceituais do programa federal de renegociação de débitos. De acordo com o parlamentar, o governo apresenta o Desenrola 2.0 como uma solução mágica, mas evita debater a inflação de alimentos e os juros bancários que asfixiam a classe média e os mais pobres. Valentim destacou que o mérito da proposta existe, mas é insuficiente diante de um cenário onde o desequilíbrio fiscal do Estado força o Banco Central a manter uma política monetária restritiva, encarecendo o crédito para todos.

Um ponto central da crítica do senador foi o direcionamento do foco governamental para as apostas esportivas como culpadas pelo endividamento. Styvenson reconheceu que o vício em jogos é um problema, mas apresentou dados mostrando que a maioria dos brasileiros deve por causa de boletos de água, energia e compras em supermercados. Ele alertou que transformar as “bets” no único vilão é uma estratégia de marketing para ocultar a ineficiência do combate à inflação. “O povo está endividado porque o dinheiro não dá para o básico, não é por causa de jogo”, afirmou o senador, citando pesquisas de comportamento de consumo.

Ao tratar do Rio Grande do Norte, Valentim lamentou que o estado apresente índices de endividamento tão elevados, atingindo mais de 1,2 milhão de cidadãos. Ele criticou o governo estadual por encaminhar projetos de lei que elevam o ICMS e o IPVA justamente em um período de fragilidade econômica. Para o senador, essa combinação de inflação nacional com impostos estaduais altos é desastrosa. Ele concluiu seu discurso pedindo que o governo federal foque em reformas que garantam a estabilidade dos preços e a redução dos juros, pois sem isso o Desenrola 2.0 será apenas uma medida cíclica que não impedirá o retorno das dívidas no futuro.

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