O senador Styvenson Valentim utilizou seu tempo de fala no Plenário do Senado para analisar criticamente o lançamento do programa Desenrola 2.0 pelo governo federal. Embora tenha classificado a possibilidade de descontos de até 90% nas dívidas como uma medida de mérito, o parlamentar potiguar enfatizou que o projeto funciona mais como uma peça publicitária do que como uma solução definitiva. Para ele, o programa falha ao ignorar que o sufocamento financeiro das famílias brasileiras é fruto de um desequilíbrio fiscal profundo, que mantém a taxa de juros em patamares elevados e impede o crescimento real do poder de compra da população.
Durante o pronunciamento, o senador questionou a narrativa governamental que tenta colocar as apostas esportivas, as “bets”, como o pivô da crise financeira dos cidadãos. Styvenson defende que, embora a proibição de jogos para quem renegocia dívidas seja correta, ela mascara o fato de que o brasileiro se endivida para pagar contas de consumo básico, como alimentação, água e energia elétrica. Citando dados recentes, ele destacou que o custo de vida é o verdadeiro vilão, e que culpar apenas o setor de apostas é uma forma de desviar a atenção da responsabilidade do Estado na gestão da inflação e dos gastos públicos.
No âmbito regional, Valentim demonstrou preocupação com o cenário do Rio Grande do Norte, onde quase metade da população adulta enfrenta o inadimplemento, totalizando mais de 1,2 milhão de pessoas. Ele argumentou que a pressão fiscal do governo estadual, que busca elevar o ICMS para 20%, cria um ambiente ainda mais hostil para o trabalhador potiguar. Para o senador, o Desenrola 2.0 trata apenas as consequências de uma economia fragilizada, mas a cura real exige que o governo federal organize as contas públicas para reduzir os juros estruturais e devolver a dignidade financeira ao povo brasileiro.