BRASIL: ECONOMIA DESACELERA, MAS MANTÉM DESEMPREGO HISTÓRICO BAIXO

O Brasil entra em 2026 com um paradoxo econômico: desemprego em mínima histórica
e inflação persistente. A taxa de desocupação ficou em 5,8% em fevereiro, o
menor índice para o mês desde o início da série histórica do IBGE. No entanto,
esse número esconde uma armadilha: a taxa de participação no mercado de trabalho
recuou para 61,9%, enquanto a subutilização da força de trabalho — que inclui
desempregados, subempregados e desalentados — subiu para 14,1%, representando
cerca de 16,1 milhões de brasileiros.

O Banco Central prevê crescimento do PIB de apenas 1,6% em 2026, o menor ritmo
em seis anos, após um avanço de cerca de 2,3% em 2025. A taxa Selic, mantida em
15% ao ano por um período prolongado, começa a ser cortada gradualmente, devendo
terminar 2026 em torno de 12,5% — ainda muito acima dos padrões históricos. O
IPCA deve fechar o ano próximo de 4,0% a 4,2%, ainda acima do centro da meta de
3%. O salário mínimo passou a R$ 1.621 em janeiro de 2026, incorporando a
variação da inflação e o crescimento econômico nos termos da regra vigente.

O setor de serviços permanece aquecido, com inflação persistente por conta do
mercado de trabalho apertado. O agronegócio continua sendo motor do crescimento,
com novo recorde esperado para a produção agrícola em 2026. O ministro Fernando
Haddad destacou a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até
R$ 5 mil como medida para reduzir a desigualdade. As eleições municipais e o
calendário eleitoral de 2026 devem manter a pressão por gastos públicos, tornando
ainda mais difícil o equilíbrio entre política fiscal expansionista e monetária
restritiva.

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